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    Quatro quartetos (T S Eliot)

    O tempo presente e o tempo passado
    Estão ambos talvez presentes no tempo futuro,
    E o tempo futuro contido no tempo passado.
    Se todo o tempo é eternamente presente
    Todo o tempo é irredimível.
    O que podia ter sido é uma abstracção
    Permanecendo possibilidade perpétua
    Apenas num mundo de especulação.
    O que podia ter sido e o que foi
    Tendem para um só fim, que é sempre presente.
    Ecoam passos na memória
    Ao longo do corredor que não seguimos
    Em direcção à porta que nunca abrimos
    Para o roseiral. As minhas palavres ecoam
    Assim, no teu espirito.
    Mas para quê
    Perturbar a poeira numa taça de folhas de rosa
    Não sei.
    Outros ecos
    Habitam o jardim. Vamos segui-los?
    Depressa, disse a ave, procura-os, procura-os,
    Na volta do caminho. Através do primeiro portão,
    No nosso primeiro mundo, seguiremos
    O chamariz do tordo? No nosso primeiro mundo.
    Ali estavam eles, dignos, invisiveis,
    Movendo-se sem pressão, sobre as folhas mortas,
    No calor do outono, através do ar vibrante,
    E a ave chamou, em resposta à
    Música não ouvida dissimulada nos arbustos,
    E o olhar oculto cruzou o espaço, pois as rosas
    Tinham o ar de flores que são olhadas.
    Ali estavam como nossos convidados, recebidos e recebendo.
    Assim nos movemos com eles, em cerimonioso cortejo,
    Ao longo da alameda deserta, no círculo de buxo,
    Para espreitar o lago vazio.
    Lago seco, cimento seco, contornos castanhos,
    E o lago encheu-se com água feita de luz do sol,
    E os lótus elevaram-se, devagar, devagar,
    A superfície cintilava no coração da luz,
    E eles estavam atrás de nós, reflectidos no lago.
    Depois uma nuvem passou, e o lago ficou vazio.
    Vai, disse a ave, pois as folhas estavam cheias de crianças,
    Escondendo-se excitadamente… contendo o riso.
    Vai, vai, vai, disse a ave: o género humano
    Não pode suportar muita realidade.
    O tempo passado e o tempo futuro
    O que podia ter sido e o que foi
    Tendem para um só fim, que é sempre presente.

    (continua…)

    Para ler em Inglês: Four Quartets

    ***

    Descobri um trecho desse poema na edição comentada de Alice (com As Aventuras de Alice no País das Maravilhas e Através do Espelho) que comecei a ler nesse último sábado. Comentar sobre o capricho da edição é como chover no molhado, uma vez que o charme da mesma é justamente esse.

    Mas sim, é algo que vale os 73 reais (preço no Submarino). Os comentários têm muitas explicações sobre a sociedade britânica vitoriana (não sei se já contei aqui, mas tenho uma paixão enorme por essa época), com detalhes que vão desde gírias usadas na época até o sistema de ensino.

    Entretanto, para ler Alice eu resolvi deixar as notas para depois, de modo que não quebrasse o ritmo da narrativa. A história em si é infantil, mas isso não significa que seja inocente e/ou boba. Está carregada de ironias e o humor nonsense que os britânicos dominam tão bem (e eu tanto gosto, he he).

    Leitura altamente recomendada, ao menos para aqueles que ainda não perderam o senso de humor.

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