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Mas a percebi que tem umas coisas que simplesmente no consigo jogar fora. Deixei de lado pensando “antes de fechar o saco de lixo, eu crio coragem e jogo tudo a” mas, obviamente no consegui.
Dentre essas coisas tem por exemplo o Sanso, um ursinho que ganhei do meu pai. Tem tambm uma boneca que meu pai e minha me trouxeram de Caxias do Sul, uma lata de balas inglesa (s a lata, duh!), uma garrafa de Amarula que ganhei quando passei na PUC e que est devidamente assinada por gente tipo a Nane, a Dia, o Fbio e a Ju (garrafa vazia!), um copo de Desafio que afanei do Emprio, uma lata de ch Twinings do tipo Prince of Wales e uma tartaruga.
Sim, uma tartaruga. Daquelas que tm na rua, saca? Ganhei do Ale, um amigo muito legal do 2 grau a quem eu carinhosamente chamava de ‘Tanajura’. Eu disse pra ele que ele nunca tinha dado nada pra mim, e ento ele pegou a tartaruga da rua e me entregou. E agora no consigo me desfazer, aff. Ei-la:

Disso eu lembrei de um dilogo entre a Morte e Raine em Sandman:
Raine - Cigarro?
Morte - No, obrigada. Belo cinzeiro…
Raine - No.. No um cinzeiro! Quer dizer… … mas tambm meu rosto. que s vezes crio rostos … Mas eles ressecam e caem. E no podia jog-los fora. So parte de mim. Da, eu fico com eles… Eu… Acho que estou falando coisas sem sentido.
Morte - No. Elas fazem sentido. Vocs sempre se agarram s velhas identidades, faces, mscaras, mesmo depois que elas no servem mais… Mas um dia, voc tem que aprender a jog-las fora.
E mais uma vez Mr. Gaiman me poupa de ter que explicar exatamente como estou sentindo.




