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    Agora que estou encaixotando as últimas coisas cheguei naquele momento de jogar fora o que estava só encostado num canto, já que apartamento é menor do que casa e tal. Algumas coisas eu joguei no lixão sem dó, tipo um chinelinho velho de pano e uma papelada nada a ver.

    Mas aí percebi que tem umas coisas que simplesmente não consigo jogar fora. Deixei de lado pensando “antes de fechar o saco de lixo, eu crio coragem e jogo tudo aí” mas, obviamente não consegui.

    Dentre essas coisas tem por exemplo o Sansão, um ursinho que ganhei do meu pai. Tem também uma boneca que meu pai e minha mãe trouxeram de Caxias do Sul, uma lata de balas inglesa (só a lata, duh!), uma garrafa de Amarula que ganhei quando passei na PUC e que está devidamente assinada por gente tipo a Nane, a Déia, o Fábio e a Ju (garrafa vazia!), um copo de Desafio que afanei do Empório, uma lata de chá Twinings do tipo Prince of Wales e uma tartaruga.

    Sim, uma tartaruga. Daquelas que têm na rua, saca? Ganhei do Ale, um amigo muito legal do 2º grau a quem eu carinhosamente chamava de ‘Tanajura’. Eu disse pra ele que ele nunca tinha dado nada pra mim, e então ele pegou a tartaruga da rua e me entregou. E agora não consigo me desfazer, aff. Ei-la:

    Disso eu lembrei de um diálogo entre a Morte e Raine em Sandman:

    Raine – Cigarro?
    Morte – Não, obrigada. Belo cinzeiro…
    Raine – Não.. Não é um cinzeiro! Quer dizer… é… mas também é meu rosto. É que às vezes crio rostos … Mas eles ressecam e caem. E não podia jogá-los fora. São parte de mim. Daí, eu fico com eles… Eu… Acho que estou falando coisas sem sentido.
    Morte – Não. Elas fazem sentido. Vocês sempre se agarram às velhas identidades, faces, máscaras, mesmo depois que elas não servem mais… Mas um dia, você tem que aprender a jogá-las fora.

    E mais uma vez Mr. Gaiman me poupa de ter que explicar exatamente como estou sentindo.


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    A-ham…

    Coisas das quais sentirei saudades do Principado do Uberaba (sim, consegui achar algumas!):

  • Da locadora Blue Chips e seu ma-ra-vi-lho-so acervo de vhs antigos e a promoção “Leve 7 pague 10″.
  • Do meu jardim
  • Do espaço que eu (e o Puck!) temos na casa
  • É, acho que é só.

    ***

    Ok, eu nem ia comentar mais nada, mas acabo de receber um scrap no orkut que me deixou atônita. Disse ele:

    oioi, td bem??
    vc já morou na rua Eduardo Calabresi no Cristo Rei???
    beijos..

    E eu fui ver o nome e passei alguns segundos em choque. Gente, ele era meu vizinho, um menininho!! Tá um rapagão!!!! EU TO VELHAAAAAAAAAAAAAAAA!!!!!!!!!!!

    (Coincidência encontrá-lo agora que estou voltando para o Cristo Rei, né? *Toca tema do Arquivo X*)