• One Art

    Bom, a palestra do Schwartz foi realmente impressionante. No sentido de “PUTAQUEPARIU, SE EU FOR DAR AULA DE LITERATURA UM DIA, QUERO FALAR COMO ELE!”. Em menos de duas horas ele apresentou uma poetisa (completamente desconhecida para mim) e me fez me apaixonar pelo trabalho dela, ao ponto de querer ler mais e mais.

    A poetisa em questão é Elizabeth Bishop. Pelo que Schwartz falou, ela era daquelas mulheres impressionantes que quebram tabus com uma (ou por uma?) paixão sem tamanho.

    Dos poemas lidos durante a palestra, o que eu mais gostei foi o chamado One Art. Vou colocar a versão original e depois uma tradução do Paulo H. Britto, que segundo o Schwartz é o melhor tradutor dela aqui no Brasil.

    One Art

    The art of losing isn’t hard to master;
    so many things seem filled with the intent
    to be lost that their loss is no disaster.

    Lose something everyday. Accept the fluster
    of lost door keys, the hour badly spent.
    The art of losing isn’t hard to master.

    Then practice losing farther, losing faster:
    places, and names, and where it was you meant
    to travel. None of these things will bring disaster.

    I lost my mother’s watch. And look! my last, or
    next-to-last, of three loved houses went.
    The art of losing isn’t hard to master.

    I lost two cities, lovely ones. And, vaster,
    some realms I owned, two rivers, a continent.
    I miss them, but it wasn’t a disaster.

    -Even losing you (the joking voice, a gesture
    I love) I shan’t have lied. It’s evident
    the art of losing’s not too hard to master
    though it may look like (Write it!) like disaster.

    TECLA SAP:

    Uma arte

    A arte de perder não é nenhum mistério;
    Tantas coisas contém em si o acidente
    De perdê-las, que perder não é nada sério.

    Perca um pouquinho a cada dia. Aceite, austero,
    A chave perdida, a hora gasta bestamente.
    A arte de perder não é nenhum mistério.

    Depois perca mais rápido, com mais critério:
    Lugares, nomes, a escala subseqüente
    Da viagem não feita. Nada disso é sério.

    Perdi o relógio de mamãe. Ah! E nem quero
    Lembrar a perda de três casas excelentes.
    A arte de perder não é nenhum mistério.

    Perdi duas cidades lindas. E um império
    Que era meu, dois rios, e mais um continente.
    Tenho saudade deles. Mas não é nada sério.

    - Mesmo perder você (a voz, o riso etéreo que eu amo)
    não muda nada. Pois é evidente
    que a arte de perder não chega a ser mistério
    por muito que pareça (Escreve!) muito sério.

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